20/12/2010

Escondendo Marina

A Folha de S.Paulo publicou matéria sobre o evento realizado no Palácio do Planalto para registro em cartório de documento com um balanço dos 8 anos de governo Lula. Ministros e ex-ministros estiveram presentes. Na cobertura dos principais jornais, muito destaque para a participação de José Dirceu, quase nenhum para a de Marina Silva. Quanta imparcialidade!

A propósito, muito boa a carta de Nabil Bonduki, abaixo, publicada no Painel do Leitor da Folha de S.Paulo de ontem.

Marina e Dirceu

Por que a Folha deu muito mais destaque para José Dirceu do que para Marina Silva na matéria (Poder, 16/12) sobre o encontro de ex-ministros com Lula? A presença de Marina foi indiscutivelmente o fato político mais importante do evento; seu abraço no presidente é de longe mais significativo que o de Dirceu em Pallocci, foto principal da matéria.

Sem nenhum destaque, Marina aparece no final de pequena matéria dedicada aos participantes do famoso caso da bolinha de papel, que nada tem a ver com ela. Na única foto em que (não) aparece, está de costas, irreconhecível, fazendo anotações pessoais. É visível a preocupação em obscurecer sua presença, que talvez ganhasse destaque se falasse algo que a indispusesse com Lula.

Péssimo jornalismo, que esconde dos 20 milhões de eleitores de Marina sua dignidade e respeito ao governo de que participou.

Nabil Bonduki, São Paulo

14/12/2010

Da favela à Esplanada

A matéria abaixo, publicada na Folha de S.Paulo do último domingo, 11/12/2010, retrata um pouco da vida de Marivaldo de Castro Pereira, atual secretário nacional da Reforma do Judiciário. O Valdo, como é mais conhecido, esteve em Birigui, minha terra natal, algumas vezes por conta da assessoria que prestava ao deputado - e futuro Ministro da Justiça - José Eduardo Cardozo. Valdo é um grande exemplo de capacidade, como pessoa e como profissional. O texto é do jornalista Uirá Machado.
João.

***

Com sua trajetória, o atual secretário nacional da Reforma do Judiciário nos dá uma verdadeira lição de vida. Acompanhem o depoimento de Marivaldo de Castro Pereira à Folha:


Marivaldo de Castro Pereira, 31



(…) Depoimento a Uirá Machado

Às vezes, voltando da escola com os colegas, eu encontrava meu pai caído no caminho de casa, bêbado. Isso dava muita vergonha.

Meu pai tinha problema com álcool, batia na minha mãe. Ele torrava tudo com bebida e não deixava minha mãe trabalhar. Às vezes a gente tinha que pegar resto de comida no fim da feira.

Tudo isso aconteceu já em São Paulo, mas eu nasci em Brasília. Meus pais são de uma cidade chamada Correntina, no interior da Bahia.

Eles vieram para Brasília em 1977 em busca de emprego, e eu nasci dois anos depois. Meu pai começou a trabalhar como pedreiro. Quando tiveram o quarto filho, a vida ficou difícil, então eles decidiram tentar São Paulo. Eu tinha quatro anos.

Meu pai conseguiu um barraco num terreno em Pirituba [periferia de São Paulo]. Era um barraco mesmo, de madeira, precário. Eu só fui morar numa casa de alvenaria depois que meus pais se separaram e me mudei com a minha mãe para o Jaraguá [também na periferia de SP].

Eu tinha oito anos. Minha mãe começou a trabalhar de diarista para sustentar os quatro filhos. Ela sempre foi trabalhadora e colocava a gente em primeiro lugar.

Comecei a trabalhar com nove anos, na feira. Foi um período bacana, porque eu tinha autonomia para comprar alguma coisinha.

Eu trabalhava e estudava. Minha mãe nunca admitiu que a gente não estudasse. Todos os meus irmãos conseguiram concluir o ensino superior. Minha mãe é bem orgulhosa — ela só completou ensino básico e médio quando eu já estava na faculdade.

Como eu estudava em escola pública, não tinha perspectiva de entrar em uma universidade. Tinha professor que dizia: “Vai tentar a USP? Esquece, compra um jeans que é mais vantajoso”.

Antes da faculdade, trabalhei numa fábrica de acendedor de fogão, depois como ajudante de pedreiro, como contínuo em uma farmácia, como “boy” interno numa concessionária de veículos.

Foi na concessionária que ouvi falar do Cursinho da Poli [pré-vestibular voltado para alunos carentes]. Trabalhava das 8h à 18h e depois ia para o cursinho. No segundo semestre de 1997, comecei a trabalhar das 6h às 15h. Chegava mais cedo na aula e cochilava um pouco.

Quando veio o vestibular, tomei uma porrada. Não passei, fiquei muito mal. O que me ajudou foi o rap, sobretudo os Racionais MC’s. A música que mais me marcou foi “Negro limitado”.

Para levantar a cabeça, ouvi rap e prometi não dormir mais antes da aula. Eu acordava às 5h30, trabalhava das 6h às 15h, estudava e chegava em casa depois da meia-noite. Foi assim o ano inteiro, mas valeu a pena.

Entrar na USP mudou minha vida. Ninguém imagina o que é entrar na universidade pública quando você vem da periferia. É um outro mundo, muitas portas se abrem.

A escolha pelo direito eu fiz no cursinho. Estava em dúvida, porque gostava muito de engenharia mecânica, mas a militância política direcionou minha opção. Busquei o direito porque achava que poderia ajudar a transformar a sociedade.

Na faculdade, eu me sentia um estranho no ninho, eu tinha preconceito e também sofria preconceito, mas aos poucos fui me enturmando.

A minha turma quis se dar um nome. A gente formou o “100% Favela”, com camiseta e tudo. Não eram todos da favela, só alguns, mas aquilo era legal, era uma provocação para a galera mais esnobe da faculdade. Minha ideia era politizar todo mundo.

Na vida acadêmica, me envolvi com política estudantil e trabalhei assessorando movimento de moradia. Trabalhei com José Eduardo Cardozo, que era vereador [pelo PT] naquela época [agora escolhido para ser ministro da Justiça no governo Dilma].

Ao sair da faculdade, tentei advogar, mas foi um desastre. Eu só advogava para gente pobre e acabava pagando para trabalhar.

Em 2005, voltei para Brasília, onde tudo começou. Quem me chamou foi o Pierpaolo [Bottini], quando virou secretário da Reforma do Judiciário. A gente se conheceu na faculdade, atuando no movimento de moradia.

Assumi o Departamento de Política Judiciária, depois a sub-chefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil e, agora, a Secretaria Nacional da Reforma o Judiciário.

O grande objetivo é aproveitar a experiência que eu tive na Casa Civil e aproximar a política de acesso à Justiça das demais políticas sociais.

A minha história me permite entender o sofrimento das pessoas com pouco dinheiro e compreender que toda política pública precisa levar os mais pobres em consideração. A vida de quem está na pobreza é muito difícil. Quem nasceu com dinheiro nem imagina quanto é difícil.

08/12/2010

Dia 8 de dezembro, dia da música


No dia 8 de dezembro de 1980, portanto, há exatos 30 anos, John Lennon foi assassinado em frente ao edifício Dakota, em Nova York.



Também no dia 8 de dezembro, mas do ano de 1994, também em Nova York, morreu Tom Jobim, um dos maiores músicos brasileiros e de todo o mundo.

É impossível não relacionar o dia 8 de dezembro à música. Muito embora, considerando as perdas de Lennon e Tom, talvez faça mais sentido relacionar a data ao silêncio.

Strawberry Fields, área do Central Park que homenageia Lennon
Edifício Dakota

03/12/2010

Woody Allen e Paul McCartney no YouTube

Depois de pelejar um pouco, aprendi a colocar vídeos no YouTube. Coloquei dois vídeos feitos pela Aline. Um, do show do Paul McCartney, no Morumbi. Outro, do Café Carlyle, em Nova York, quando assistimos à apresentação de Woody Allen e a banda de jazz de Eddy Davis.

De agora em diante, será um vídeo atrás do outro.

Vale a pena conferir: www.youtube.com/JFQuirino