Rubens Barrichello criticou Nelsinho Piquet por ter premeditado acidente no GP de Cingapura de 2008. Do ponto de vista da esportividade, da ética do esporte, de valorizar a vitória do competidor por seus méritos, não por artifícios desleais, a crítica é mais que justa. Nelsinho, pelas notícias veiculadas na imprensa, teria alegado que sua atitude deveu-se a condição imposta pela equipe Renault para renovação de seu contrato. Aliás, o conflito entre bom comportamento desportivo e seguimento cego às determinações da equipe, inclusive ilegais ou antiéticas, para manutenção de contrato não parece novo na Fórmula 1. Além do caso de Nelsinho, lembro-me do GP da Áustria em 2002, quando Rubinho acionou o freio de sua Ferrari a poucos metros da linha de chegada para que o companheiro de equipe, Michael Schumacher, vencesse a prova. Também o fez a mando da equipe, também preocupado com a manutenção de seu contrato com a escuderia italiana. É claro que os episódios não são iguais, que jogos de equipe existem há muito tempo, que a atitude de Rubinho/Ferrari não chega à trapaça configurada no caso Nelsinho/Renault. Mas, com suas distinções de grau, entram na lista de eventos antiesportivos guindados pela força excessiva dos vínculos contratuais. Criticáveis, ambos, com a devida diferença de rigor.
Ainda, a lei antifumo e a liberdade individual
Ainda escuto críticas à lei antifumo baseadas na tese da afronta à liberdade individual do fumante. Os críticos não entenderam – ou não querem entender – que a restrição ao fumo em locais públicos fechados não objetiva restringir o fumante, mas, sim, proteger o não fumante ou o fumante passivo. Dessa forma, defendendo radicalmente a liberdade individual, é possível ser fervorosamente favorável à liberdade extrema de o sujeito suicidar-se, o que, aliás, faz o fumante. O que não se pode admitir é que, sob a bandeira da liberdade individual, o fumante, em vez de suicídio, cometa homicídio.
Medo das ditaduras
Um novo espectro ronda o Brasil – o espectro da ditadura. Pelo menos essa é uma denúncia muito em voga feita por pessoas temerosas por perderem sua liberdade em face de iminentes sinais de cerceamento arbitrário do Estado, dos governos, enfim, DELES!!! (deles???) à liberdade individual. Para ficar no exemplo acima, o Estado cerceia a liberdade individual de jogar fumaça de cigarro na cara do sujeito ao lado – este, também, um agente à paisana da tirania estatal. Outros exemplos: também não se pode mais sonegar tão facilmente os impostos (ainda bem que acabaram com a CPMF!) depois que inventaram a nota fiscal paulista; o indivíduo também viu seu sacrossanto direito de se embebedar e sair por aí atropelando os outros depois que promulgaram a lei seca; maracutaias não podem mais ser combinadas pelo telefone depois que a intrusiva Polícia Federal começou com a moda de escutas telefônicas em operações investigativas de nome esquisito. E, a reboque das mudanças constitucionais América do Sul afora, dando mais poder e direito de reeleições sucessivas – Venezuela, Colômbia e Equador que o digam – , é certo que o mesmo ocorrerá no Brasil: será aprovada a re-reeleição do presidente, o povão, tornado irracional pelo bolsa-família, re-reelegerá Lula. Este, então, imune às denúncias de corrupção (presidente-teflon), abastado de votos e altos índices de aprovação, por fim, invadirá os meios de comunicação críticos a sua gestão, assim como fizera Collor, Chavez e, recentemente, Cristina Kirchner. Eis o medo retomando sua primazia sobre a esperança.
A propósito da fobia às supostas ditaduras emergentes, são simplesmente maravilhosas as tiras do genial Laerte, publicadas na Folha de S.Paulo nos últimos dias. A sátira, aliás, é uma excelente resposta às críticas histéricas sobre pseudo-ditaduras e, até mesmo, revelações ridículas de certo ressurgimento nazista. Vale a pena uma espiada nos quadrinhos abaixo.


Nenhum comentário:
Postar um comentário