Outros senhores de laia análoga – criadores de imagens – , regozijavam-se com o sucesso da casa dos reclusos. No seu interior, cada vez menos gente. Fora, cada vez mais curiosos a espiá-la. Rapazes e moças, simpatizantes e antipatizantes a promoverem fuxicos, intrigas, tramóias. Em uma palavra, execrável para muitos, essas pessoas estavam... jogando. Jogando? Na casa, a princípio, vale tudo. Inclusive dançar homem com homem e mulher com mulher. Quer dizer, não na inteligência de um dos rapazes, o retornado de outros tempos: outros tempos de casa, outros tempos da inteligência de homens e mulheres. Antro de diversidade: gente estranha, travestida, colorida, cabeluda e chata. Só não pode gordo, feio, barrigudo e sem ibope. Sobretudo, sem ibope!
Intranquilos com as coisas, sôfregos pela marola que os acalme, outros tantos intentavam enrolar ervas alternativas em protesto por não poderem fazê-lo com as ervas tradicionais. Em plena terra da garoa, decidiram esfumaçar a principal avenida com cheiro de orégano. E vieram os senhores doutos e togados, desacompanhados das pudicas, proibirem a queimada. Afinal, nessas bandas come-se pizza às pampa, mano, e orégano é gênero de primeira necessidade. Resguardemo-lo por razões morais, jurídicas, ecológicas e gastronômicas. Nesse ínterim entre os planos e a proibição, os nóias do centro sentiram que algo não cheirava bem. Os meganha, uns cem deles, vieram na toda e botaram todo mundo na parede. “Teje preso!”, e lá se foram uns trezentos em fila indiana. Já não pode ficar no centro, os bacanas de Higienópolis e adjacências também reclamam da presença dos nóias, e agora as otoridades não se entendem onde eles serão guardados: poliça prende, os doutores soltam, os homens do governador querem repressão, os doutores do prefeito dizem que é questão de saúde pública. Então, ficamos assim: enquanto otoridades não entram em acordo, os nóia retornam festivos às ruas. Mas vão para onde? Alguém lhes dê uma Luz! Só não lhes dê bagulho: não pode fumar maconha, não pode fumar orégano e cigarro só se não for em locais fechados de circulação pública! E se beber, não dirija!
Cerveja daqui, tapinha de lá, eis que tudo se mistura. O brother machão, após beber a célebre devessa e comer a líquida – ou seria o contrário? –, acende um cigarrinho de orégano e pergunta: “Foi bom pra você?”. “Well”, responde a loira, “Preferia aquela sua amiga drag e um charuto jamaicano legítimo, you know”. “E da casa, da casa você gostou, né?”. “Well, prefiro meus hotéis, honey”. Só assim o brother foi eliminado. Juntou-se aos nóias porque nóia é doido, mas não é frutinha. E assim as coisas andam pelos cantos do país das maravilhas. Na avenida do samba, na mais paulista das avenidas, nas cracolândias da vida e na casa mais famosa do Brasil.
* * *
Notícias:Socialite Paris Hilton participa do carnaval carioca e faz propaganda da cerveja Devassa.
Justiça paulista proíbe a “marcha do orégano”.
Procuradoria abre processo para investigar homofobia no BBB.
Justiça tira do ar campanha da Schincariol com Paris Hilton.
Polícia prende 76 suspeitos de tráfico na cracolândia e recolhe 250 usuários.
Boy Jorge chama BBB10 de “lixo brasileiro”.
Secretário de Kassab critica aliado José Serra ao condenar ação policial na cracolândia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário