Há pouco tempo foram noticiadas duas declarações bastante representativas da homofobia arraigada na sociedade brasileira, cujas reações, de tão banalizado esse preconceito, foram quase inaudíveis. A primeira foi dada pelo treinador do Goiás, Hélio dos Anjos, que disse em tom de sábia autoridade: "Não trabalho com homossexuais". Talvez sim. Talvez não. Quem sabe... E daí? A segunda declaração veio do governador peemedebista do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, referindo-se ao Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, mais ou menos assim: "O Ministro é um veado e se vier ao estado, eu o estuprarei em praça pública". Bem, pelo desejo manifestado, poderia-se até questionar suposta homofobia na frase, em si violenta, chula e, diria, "homoerótica"... Tanto que o próprio Minc ironizou, sugerindo ao governador que saísse do armário.
Em suma, a homofobia parece ser o atual bastião-mor das expressões preconceituosas e discriminatórias no Brasil. Não que mulheres, negros e tantos outros grupos ou condições tenham deixado de sofrer da praga discriminatória. Mas, hoje, pode-se vislumbrar a conquista de uma posição em que as reações ao machismo ou ao racismo explícitos, por exemplo, são geralmente imediatas e rigorosas. Tomando o futebol como exemplo, mulheres bandeirinhas ou árbitras tornou-se corriqueiro, e pobre daquele jogador que sugestionar racismo contra um outro jogador (Desábato e Antonio Carlos que o digam!). Porém, ai do torcedor que, ao contrário do coro da massa, protestar contra gritos de "bicha, bicha" dados a Richarlysson, do São Paulo, como fez a torcida do Flamengo no Maracanã, também há poucos dias. A propósito, leia o ótimo artigo de Leandro Fortes, intitulado "Os Novos Negros" e publicado em Carta Capital. O link está abaixo:
http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=5263
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