21/10/2009

Petistas na TV

Como se zelassem exemplarmente pela moralidade pública, alguns senadores bateram às portas da laboriosa Comissão de Ética do Senado Federal, clamando por punição ao petista Eduardo Suplicy por conta de atrapalhada performance feita a pedido de Sabrina Sato, do programa Pânico na TV. Após vestir uma cueca vermelha sobre a calça, o Senador teria imitado o voo do Superman pelo salão do Senado Federal. Compreensiva, a Rede TV, a pedido do senador, deixou de exibir a cena.
Ressalto que a cueca foi colocada sobre a calça, tal qual o citado e outros super-heróis dos quadrinhos e desenhos animados. Aliás, se isso é tão indecente, como deixam que as crianças assistam a esses desenhos? O porquê da estranha indumentária dos heróis não me perguntem, mas confesso que quando criança eu vivia brincando vestido com cueca sobre a calça, toalha à guisa de capa e meias fazendo as vezes de luvas. Minha mãe devia amar...
Seriam os ofendidos parlamentares alguns dos mesmos que nada constataram de indecoroso na farra empreguista em prol dos parentes, nos atos secretos e em outras ocorrências quase onipresentes na mídia? Teriam ficado revoltados com o cartão vermelho extemporaneamente mostrado a Sarney?
Sinto-me deslocado diante dessas manifestações contrárias a Suplicy. Não vi nada, absolutamente nada que afrontasse à moralidade pública, nem mesmo à tal da moral e dos bons costumes, mais valorizada em tempos mais conservadores. Suplicy simplesmente respondeu à brincadeira proposta, ingenuamente talvez, pateticamente quem sabe. Na minha modesta opinião, atitude reprovável foi a do cartão vermelho, não pelo gesto em si, mas pelo momento em que se deu.
Só torço para que as reações críticas a Suplicy não alimentem argumentos para justificar a constante fuga de outro petista, o deputado José Genoíno, das câmeras de TV, especialmente as de outro programa humorístico, o CQC, da Band. Admirador que sou da história de lutas de Genoíno, fico um tanto incomodado com sua negação sistemática em falar com os repórteres do CQC. Mesmo ciente do intenso sofrimento por que, presumivelmente, o deputado passou quando era presidente do PT e explodiu o famoso caso do mensalão, não compreendo a atitude esguia.
Se a razão para o silêncio de Genoíno é a mágoa pelas críticas recebidas, está mais do que na hora de enfrentá-las. Afinal, a tensão midiática faz parte da vida política democrática (que o digam outros petistas como José Dirceu e Aloísio Mercadante, expostos ao extremo a pechas na mídia, respectivamente, de comandante do mensalão e de voltar atrás em decisão “irrevogável”) e não condiz com a já referida história de lutas do deputado. Se o motivo é não dar ibope ao programa, o resultado é justamente o contrário, ficando muito mais em evidência enquanto perdurar a brincadeira de gato e rato.
Caso aceite um conselho – em que pese deles estar cheio o inferno, como se sabe – , diria ao deputado Genoíno que não mais desvie das câmeras, respondendo às perguntas dos repórteres/humoristas por mais impertinentes, inoportunas ou injustas possam lhe parecer. Assim já o fizeram Paulo Betti, Hector Babenco e a também petista Marta Suplicy. E, acredito, não devem ter se arrependido.
Fale, deputado Genoíno. Responda às perguntas, entre na brincadeira com tranquilidade. Porém, se lhe oferecerem uma cueca vermelha, melhor não vestir.

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